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AS PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS QUE JÁ DÃO DINHEIRO A EMPRESAS BRASILEIRAS PDF Imprimir E-mail
Segunda, 31 de Agosto de 2015 15:13

BILHÕES À ECONOMIA NACIONAL

GRUPO DE EXECUTIVOS E BIÓLOGOS DA VOTORANTIM BUSCA NA RESERVA DA EMPRESA, NO VALE DO RIBEIRA (SP), NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS

OS TÉCNICOS QUEREM INICIAR A EXPLORAÇÃO DE FÁRMACOS E COSMÉTICOS DA FLORESTA ESTE ANO

A RECEITA TAMBÉM PODE VIR DE TRECHOS DA MATA ATLÂNTICA ALUGADOS PARA OUTRAS EMPRESAS(FOTO: FERNANDO MARTINHO)

Por muitos anos, o trabalho do engenheiro David Canassa à frente da gerência-geral de sustentabilidade do grupo Votorantim foi estudar em detalhes os processos produtivos das diferentes unidades da companhia. “O objetivo era otimizar, otimizar, otimizar”, diz. Por isso, o executivo se debruçava sobre planilhas para reduzir o consumo de água, combustíveis, energia... Era algo exaustivo, mas exequível. Agora, a tarefa tornou-se bem mais complexa. Em 2015, para garantir o bônus anual, Canassa terá de transformar as políticas socioambientais em oportunidades de negócio – ou seja, em resultados, ganhos reais para a companhia.

A nova meta de Canassa, embora desafiadora, não pode ser vista como excepcional. Ao contrário. É emblemática de um movimento que ganha corpo em todo o mundo. As grandes empresas globais estão deixando para trás uma agenda baseada em compliance e ecoeficiência e começam a desbravar novos terrenos, implantando uma prática sistematizada para que as ações de sustentabilidade gerem valor – dinheiro, em suma.

A Unilever quer dobrar as vendas e reduzir pela metade seu impacto ambiental. Para isso, precisa provar o valor de produtos que usam menos água e  embalagens compactas

Essa maneira de encarar o tema, no entanto, ainda engatinha no Brasil. Foi essa uma das principais constatações do estudo “Sustentabilidade nas Empresas Brasileiras”, realizado pela consultoria Accenture em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)­, entidade que reúne representantes de 70 empresas que representam 40% do PIB do país. O trabalho traça um retrato inédito do nível de maturidade das principais companhias em atuação no Brasil em relação às práticas tidas como sustentáveis.

Uma agenda caduca
A pesquisa ouviu mais de cem executivos de grandes companhias de 15 diferentes setores. Para 77% dos entrevistados, cumprir normas regulatórias e gerir riscos ambientais ainda é um dos principais motivos para aderir a ações de sustentabilidade. “Isso é uma agenda completamente caduca”, diz Dirceu Azevedo, diretor da área de sustentabilidade da Accenture para a América Latina e um dos responsáveis pelo levantamento. “Em economias mais desenvolvidas, compliance e gestão de risco nem são mais consideradas práticas sustentáveis.”

Esse jeito ultrapassado de encarar o tema impacta de forma significativa os resultados gerais do negócio – e para pior. É um desperdício de oportunidades contabilizado pela Accenture em R$ 145 bilhões ao ano (veja quadro à pág. 84). Esse é o valor que poderia ser economizado com a adoção em larga escala por parte das empresas da sustentabilidade no Brasil. Somente os ganhos com uma melhor gestão no uso de recursos naturais poderiam resultar em uma economia de R$ 20 bilhões anuais. Isso com a adoção de tecnologias simples – como sensores – para aprimorar o monitoramento e a comunicação entre máquinas (machine-to-machine).

Outros R$ 55 bilhões poderiam ser economizados com o melhor aproveitamento de matérias-primas, transformando, por exemplo, resíduos em insumos para outras cadeias. Há ainda oportunidades a serem exploradas na cadeia de fornecedores, com o aumento de eficiência das empresas de pequeno e médio porte. “Todos esses avanços, no entanto, exigem investimentos em inovação”, diz Azevedo. “Se os líderes não veem a sustentabilidade como oportunidade de negócio, fica difícil alcançar esses resultados.”

DAVID CANASSA
GERENTE-GERAL DE SUSTENTABILIDADE DA VOTORANTIM 


DONA DE 31 MIL HECTARES DE MATA ATLÂNTICA, A VOTORANTIM TENTA DESCOBRIR COMO TIRAR DINHEIRO DA FLORESTA PARA PRESERVÁ-LA. ELA INVESTIRÁ R$ 60 MILHÕES EM PROJETOS DE EXPLORAÇÃO DE POTENCIAIS FÁRMACOS E COSMÉTICOS DAS PLANTAS LOCAIS, ALÉM DO ALUGUEL DE ÁREAS DA RESERVA PARA OUTRAS EMPRESAS. OS GANHOS ESTIMADOS SÃO DE R$ 10 MILHÕES ANUAIS A PARTIR DE 2021. “JÁ FIZEMOS DINHEIRO A PARTIR DO LIXO, POR QUE NÃO VAMOS CONSEGUIR COM A FLORESTA?”, DIZ DAVID CANASSA(FOTO: FERNANDO MARTINHO)

A mata de Antônio Ermírio
Há, no entanto, um grupo de empresas que consegue se destacar desse cenário. Hoje, são duas dezenas delas no Brasil. Entre esses negócios, está a Votorantim do engenheiro David Canassa. Ele quer gerar receitas a partir de uma reserva florestal que pertence à companhia, em um trecho de Mata Atlântica que avança sobre os municípios de Tapiraí, Miracatu e Juquiá, no Vale do Ribeira, em São Paulo.

Ainda nos anos 50, o empresário Antônio Ermírio de Moraes começou a comprar terras na região para garantir a preservação da mata – e, por consequência, do rio Juquiá, cujas águas movimentam as turbinas das sete centrais hidrelétricas construídas pelo grupo para o abastecimento da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). No total, são 31 mil hectares de terra (uma área do tamanho de Curitiba). É muito mais do que a lei exige de recuo a partir dos rios que abastecem hidrelétricas. E, volta e meia, a empresa precisa lidar com a invasão de grileiros, pessoas que extraem palmitos das palmeiras ou caçadores. “Dá um trabalho danado manter aquilo tudo do jeito que está”, diz Canassa. “Mas não queremos abrir mão da reserva, porque ela é importante para o negócio.”

Na tentativa de transformar um problema em oportunidade (ou custo em receita), Canassa reuniu-se com pesquisadores, ambientalistas e a diretoria do grupo. A ideia era levantar ações econômicas viáveis para a área. Muitas delas começam a ser implantadas este ano. Serão investidos R$ 60 milhões até 2021 na Reserva Votorantim, o nome oficial da gleba. A partir disso, a reserva poderá dar retornos de R$ 10 milhões anuais.

PEDRO MASSA
DIRETOR DE VALOR COMPARTILHADO DA COCA-COLA


DESDE 2009, A COCA-COLA OFERECE CURSOS PROFISSIONALIZANTES DE VENDAS, ARMAZENAGEM E ESTOQUE DE MERCADORIAS. ESSAS SÃO AS QUALIFICAÇÕES NECESSÁRIAS PARA FÁBRICAS, DISTRIBUIDORAS E GRANDES REDES DE VAREJO QUE REVENDEM OS PRODUTOS DA MARCA. “NÃO PROMETEMOS EMPREGO, MAS 30% DAS PESSOAS QUE PASSAM PELO CURSO SÃO CONTRATADAS POR ALGUMA EMPRESA DE NOSSA CADEIA”, DIZ PEDRO MASSA(FOTO: EDUARDO ZAPPIA)

Ciência aplicada
Parte das receitas virá da exploração da biodiversidade. Nos últimos três anos, a companhia firmou parcerias com pesquisadores de importantes instituições, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, em Piracicaba, que, além de mapear a fauna e flora local, estão estudando potenciais fármacos e cosméticos provenientes das plantas. “As possibilidades são imensas”, diz Canassa. Paralelamente, a Votorantim implantará viveiros para a venda de mudas de Mata Atlântica a edifícios comerciais. O grupo vai ainda arrendar pedaços da floresta como reserva legal a outras companhias – uma possibilidade criada pelo Código Florestal Brasileiro, aprovado em 2012.

Essa não será a primeira vez que a Votorantim terá receitas graças a boas práticas ambientais. Desde 2009, a empresa vem investindo em rotas tecnológicas para transformar resíduos da exploração mineral em insumos para outros setores. A unidade da Votorantim Metais, em Paracatu, Minas Gerais, acumulou ganhos de R$ 300 milhões desde 2011, vendendo um pó calcário agrícola feito a partir dos restos da exploração de zinco. “Lá, o que seria lixo virou lucro”, diz Canassa. “Então, por que não conseguiremos fazer isso também com floresta?”

Embora a receita gerada pela sustentabilidade ainda esteja restrita a uma elite das empresas nacionais, a boa notícia é que muitas delas começaram a se mobilizar para engajar outras no mesmo caminho. Elas também cobram do governo, em diferentes esferas, a adequação de normas que tornariam o cenário muito mais propício a inovações nesse campo no Brasil. “Embora necessário, romper processos pode custar caro e os resultados, às vezes, demoram a aparecer”, diz Marina Grossi, presidente do CEBDS. “Por isso, é preciso transformar o ambiente de negócios no país, para que as boas práticas de sustentabilidade se tornem a regra, não exceção.”

ANTONIO CALCAGNOTTO
VICE-PRESIDENTE DE SUSTENTABILIDADE DA UNILEVER


ELE QUER QUE TODAS AS EMPRESAS ADOTEM NORMAS RIGOROSAS DE SUSTENTABILIDADE. ISSO REDUZIRIA O CUSTO DOS PRODUTOS “VERDES”.  HOJE, A UNILEVER PAGA 8% A MAIS DO QUE OS CONCORRENTES AO COMPRAR UM TIPO DE CACAU CERTIFICADO(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Como produzir com menos e vender mais
Hoje, uma das principais dificuldades das empresas é convencer os consumidores sobre o valor dos produtos feitos de maneira sustentável – mesmo quando eles chegam às prateleiras custando o mesmo que um item convencional. “O brasileiro, por muito tempo, aprendeu que quanto maior a caixa, maior é a vantagem para ele”, diz Antonio Calcagnotto, responsável pela sustentabilidade na Unilever para a América Latina. “Parte do nosso trabalho é mudar essa percepção.”

A Unilever tem uma meta ambiciosa, mesmo para quem representa um dos mais bem-sucedidos casos de sustentabilidade do mundo. Agora, ela quer dobrar de tamanho até 2020, reduzindo pela metade sua pegada ambiental. Na prática, terá de produzir e vender mais com menos – muito menos. Algo impossível de conquistar sem o engajamento do consumidor.

Para chegar ao cliente com eficiência, Calcagnotto terá primeiro de atrair boa parte da indústria brasileira à sua causa. Sua batalha vem sendo travada em duas frentes. Ele tenta, por exemplo, convencer representantes do governo sobre a importância de normas mais rígidas de sustentabilidade para as empresas em geral. Isso reduziria a disparidade de custos em comparação com eventuais concorrentes. Hoje, por exemplo, quase metade do cacau utilizado pela Unilever no Brasil é certificado, o que significa que é cultivado de forma a gerar o menor impacto possível ao meio ambiente. Mas seu custo é 8% superior ao do produto plantado de forma tradicional. Se todas as empresas optassem pela versão sustentável, isso poderia trazer ganhos de escala aos agricultores e o preço, por consequên­cia, cairia.

Na segunda frente, o executivo atua junto aos líderes de companhias de diferentes setores para mostrar as vantagens de práticas sustentáveis nas linhas de produção. “Quando todas as empresas atuam de forma parecida, com critérios mais rígidos em relação às responsabilidades socioambientais, a decisão do consumidor fica muito mais fácil”, diz Calcagnotto. “Algumas conquistas não podem ser alcançadas se brigarmos sozinhos.”

“Não é filantropia, por isso funciona”
Assim como a Unilever, empresas consideradas líderes em sustentabilidade no Brasil saem de um patamar diferenciado. Elas têm acesso a tecnologias e a ferramentas testadas e aprovadas em mercados mais desenvolvidos. Há, no entanto, casos em que a experiência da unidade brasileira inspira ações globais. É o que está acontecendo com o Coletivo, da Coca-Cola, um programa criado em comunidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus. Agora, ele pode ser expandido para outros países da América do Sul e da Ásia.

A iniciativa foi inspirada no conceito de valor compartilhado, criado pelos gurus do mundo corporativo Michael Porter e Mark Kramer, em 2011. A dupla atribui às empresas possibilidades de aumentar a competitividade e a rentabilidade ao atuar diretamente na resolução de problemas sociais. O Coletivo Coca-Cola ajuda na formação de jovens e mulheres em comunidades carentes. Em troca, garante à companhia mão de obra e fornecedores mais qualificados. “Nós identificamos que, ao atender à demanda de uma população, poderíamos resolver um problema nosso e de nossos revendedores”, diz Pedro Massa, diretor de valor compartilhado da Coca-Cola no Brasil e um dos idealizadores do programa. “Não é filantropia e, por isso, funciona.”

Ao estudar os hábitos de consumo em comunidades carentes, a Coca-Cola percebeu  que a marca só seria respeitada se  oferecesse benefícios reais, como empregos, à população

O projeto começou a ser forjado em 2009, quando a Coca-Cola criou uma força-tarefa com o objetivo de entender os hábitos de consumo dos jovens brasileiros. Em busca de informações que seriam utilizadas no desenvolvimento de novos produtos e em campanhas publicitárias, a empresa destacou alguns profissionais para conviver com moradores de diferentes comunidades no Rio e em São Paulo. Em seis meses, eles teriam de trazer respostas às seguintes questões: o que as pessoas esperavam da empresa e o que as motivaria a consumir produtos da marca. A conclusão surpreendeu. Ninguém estava interessado em sabor, embalagem ou nome do que quer que seja. Os jovens pediam emprego e melhores oportunidades de vida. “Eles deixaram muito claro: para que fôssemos respeitados, precisaríamos entregar algo em troca para a comunidade”, diz Massa.

A empresa então começou a oferecer cursos profissionalizantes, com destaque para vendas, armazenagem, estoque de mercadorias – exatamente as qualificações necessárias para fábricas, distribuidoras e grandes redes de varejo revendedoras dos produtos da marca. “Não prometemos emprego, mas 30% dos que passam pelo curso são contratados por alguma empresa de nossa cadeia”, afirma Massa.

Pois deu tão certo que a Coca aplicou a mesma lógica em outras frentes. Passou a formar profissionais para reciclar embalagens, além de coletar e armazenar matéria-prima em regiões remotas do país. Hoje, é o Coletivo Floresta, que opera em 53 comunidades de Carauari e Manacapuru, na Amazônia, que abastece a empresa com açaí. “Mesmo sem exclusividade sobre a produção, nós conseguimos garantir nosso fornecimento”, diz Massa. Desde que foram criados, os coletivos da Coca-Cola ajudaram a formar mais de 100 mil pessoas. É pouco. “Com nosso porte e capilaridade, temos de alcançar muito mais gente”, diz Massa. “Para ser realmente sustentável, o impacto das ações tem de ser proporcional à importância da empresa no mercado.”

 

 
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